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Rapaz Invisível

Baleias azuis? E agora?

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Inauguro este espaço de opinião para falar de um tema pouco alegre mas muito falado dos últimos dias.

 

Temos tido conhecimento pela comunicação social ou redes sociais da existência de um jogo perigoso chamado Baleia Azul, que desafia adolescentes a se envolverem numa serie de desafios, terminando no seu suicídio.


Se é verdade que há motivo para nos preocuparmos por estes desafios e jogos existirem também é verdade que mais do que nunca se tem tornado indispensável aos pais e educadores abordarem assuntos que antes não se revelavam necessários: o que são redes sociais, a Internet e para que servem. Estamos hoje, todos ou quase todos, ligados, conectados. Nunca, como hoje, foi tão fácil chegar a outros através de um click, com a segurança ilusória que um ecrã de computador fornece.


Imaginemos os ensinamentos básicos como saber atravessar a estrada ou falar com estranhos. Ninguém nega que são coisas perigosas de fazer, mas são indispensáveis para o nosso dia a dia. Quer seja para ir para escola ou trabalho ou obter alguma informação.


Usar a Internet não deve ser diferente. O segredo da segurança não pode, nem deve, passar por proibir o acesso aos mais novos mas encorajar o acesso orientado, protetor (mas não castrador) e com cuidado. Num mundo global, onde vivemos numa grande aldeia e onde a Internet esta em todo o lado; num mundo onde vamos ao banco com a Internet, onde consultamos o horário das lojas, qual a farmácia de serviço, qual o mail enviado pelo nosso chefe, entre tantas outras coisas, pela Internet, vale capacitar. Vale apostar na utilização segura, desde cedo.


Somos agora confrontados pela realidade de jogos como o da Baleia Azul. Realidade preocupante e perigosa, repito, que merece a nossa atenção.
Verdade é que não é por cassar o acesso à Internet que protegemos os nossos filhos de entrar nesta espiral de destruição. Uma vez mais, é sensato alertar para os perigos e ensinar a navegar.


Muitas vezes pode não chegar. Seja por estarmos perante um jovem mais velho, com mais experiência ou pais cuja literacia digital não chegue para dotar os filhos de mais e melhores competências digitais; podemos também refletir na importância da atenção à saúde mental dos nossos educandos, evitando problemas maiores e graves, muitas vezes autodestrutivos, como este jogo.


A depressão juvenil, tal como nos adultos, chega de forma silenciosa, muitas vezes sem sintomatologia aparente. Mais, num mundo mais agitado, das agendas cheias, podemos não nos aperceber. Filhos podem não contar aos pais os seus medos, as suas angustias e ansiedades. Entramos portanto num provável e triste ciclo de isolamento, de agravamento da sensação de estar sozinho e de que não ter um suporte social e afectuoso percebido.


Corro o risco de simplificar a seriedade da depressão. Não o desejo nem anseio, mas creio ser importante alertar para a vital necessidade de estarmos atentos ao estado e saúde mental de quem nos rodeio, evitando situações que se transformam em perdas.


Igualmente preocupante e dentro do domínio da saúde mental podemos falar sobre a sensação de “o mundo esta contra mim” ou do “ não sou um acrescento ao mundo”. A importância das redes de apoio e dos amigos é mais uma vez, fulcral.
Mais do que nunca, talvez em jeito de quase certeza devemos apostar na literacia digital de quem herdara a nossa sociedade, na compressão de si mesmos, de quem os rodeia, promovendo a boa e desejada saúde mental.

 

Pedro Taborda

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